Dia 8 de outubro marca aniversário da morte do ícone da rebeldia e da revolução da América Latina.

Homem de personalidade forte, orador inteligente, hábil estrategista e, acima de tudo, extremamente voluntarioso e decidido. Não se adaptou à burocracia castrista e, em 1965, deixou o cargo de ministro da Economia de Cuba porque “outros países do mundo clamavam por revoluções”. Na Bolívia isolado em território desconhecido e sem apoio do partido comunista local, foi perseguido pelo exército e levado para o povoado de La Higuera, onde foi assassinado no dia seguinte.
Depois de intenso tiroteio, com sua arma avariada e com a perna ferida por uma bala, Che Guevara rendeu-se. Naquelas alturas a aparência dele era assustadora. Parecia um mendigo, magro, sujo e esfarrapado. Levaram-no para um casebre em La Higuera que servia como escola rural. Lá, ele tinha a companhia dos cadáveres de dois jovens guerrilheiros cubanos, com quem passou sua última noite.
Foi interrogado pelo tenente André Selich, quem arrancou de Che a frase “eu fracassei, está tudo terminado e é por essa razão que me vê neste estado”. Depois de muitas tentativas de interrogatório também do Coronel Joaquin Zenteno Anaya e do agente cubano-americano da CIA, Félix Rodrigues, chega então pelo rádio, ao meio-dia e meia, a ordem final do general René Barrientos, do alto comando boliviano de La Paz, que segundo Selich era “proceder a eliminação do Senhor Guevara”.
Apesar de nenhum deles concordarem com a execução, pois Che valia muito mais vivo do que morto, para o expor derrotado e exigir de Cuba uma indenização para cobrir os gastos deixados pelas guerrilhas e colaborar com os familiares de bolivianos mortos. Mas, a ordem teve de ser cumprida. Mário Terán o homen que executou Che disse que as últimas palavras dele foram ” É melhor assim (…). Eu nunca deveria ter sido capturado vivo.”
A única ordem dada a Terán sobre a execução foi de livrar o rosto e que só atirasse do pescoço para baixo. Terán puxou o gatilho e atirou nos braços e nas pernas e enquanto Che se contorcia de dor e mordia os pulsos na tentativa de evitar gritar, uma outra rajada foi disparada. A bala fatal penetrou no tórax de Che, eram 13h10, quando Rodriguez olhou no relógio ao ouvir o último disparo. Che morre no dia 09 de outubro de 1967 aos 39 anos de idade, com 11 tiros.

Che foi jogado no concreto de uma lavanderia com a cabeça apoiada na pia e os olhos abertos. Dois dias depois jogaram seu corpo com as mãos decapitadas numa cova secreta próximo a Vallegrande. Ele e mais sete outros foram enterrados nesse lugar num segredo que duraria quase três décadas. O exército boliviano temia que se o sepultassem seu túmulo virasse centro turístico devido à fama que Guevara tinha na América Latina.
Desde então, o dia 8 de outubro é o “Dia do Guerrilheiro Heróico” na ilha de Cuba, durante o qual são prestadas homenagens a Che Guevara.
Seu cadáver foi descobertos em uma vala comum na cidade de Vallegrande por antropólogos.
Vários foram os boatos que cercaram a execução de Che Guevara e levantaram dúvidas sobre a identidade do guerrilheiro. A confusão culminou no desaparecimento dos seus restos mortais, encontrados apenas em 1997 sob o terreno do aeroporto de Vallegrande. O corpo estava sem as mãos, amputadas para reconhecimento poucos dias depois da morte.

Sua morte, em 1967, interrompeu o sonho de ampliar a Revolução Cubana à América Latina, mas não impediu que seus ideais continuassem a gozar de popularidade entre a esquerda. Em 17 de outubro de 1997, Che foi enterrado com pompas na cidade cubana de Santa Clara (onde liderou uma batalha decisiva para a derrubada de Batista), com a presença da família e de Fidel Castro.
Mas em Vallegrande, na região central da Bolívia, palco final da frustrada epopéia boliviana de Ernesto Che Guevara, a vida do médico guerrilheiro argentino-cubano ganha capítulos inusitados e companhias pouco comuns. Alçado à posição de beato popular, San Ernesto de La Higuera, como ficou conhecido, é alvo de devoção e tido como protetor. Os 7 mil habitantes de Vallegrande convivem com a presença do guerrilheiro desde o dia da sua morte.

Por mais que as autoridades e o Exército tenham tentado, durante muitos anos, desestimular quaisquer reverências à sua memória, seu mito cresceu na clandestinidade, espraiando-se como rastilho de pólvora. Embora seus ideais sejam românticos aos olhos de um mundo globalizado, ele se transformou num ícone na história das revoluções do século XX e num exemplo de coerência política. Sua morte determinou o nascimento de um mito, até hoje símbolo de resistência para os países latino-americanos
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