Cine Papuã a passos largos na educação ambiental
22 03 2010 
Por Débora Alcântara
Subir seis quilômetros até o topo da Serra do Papuã perpassando toda a riqueza de mata nativa sobrevivente à ação predatória da civilização foi apenas o início de uma jornada educativa diferente para 30 alunos da Escola Municipal Cesar Borges e o grupo de Capoeira do Mestre Zé Bala, do distrito de Itamarati. Eles vieram assistir à quinta edição do Cine Papuã, realizada no último dia 13, quando foi lançado um concurso de redação com temática socioambiental relacionado ao filme.
A película que inaugurou esse desafio, que será permanente nas edições do Cine Papuã, foi Kirikou e os Animais Selvagens, um filme de Michel Ocelot e Bénédicte Galup, que conta a história de um pequeno menino, nascido em uma aldeia da África Ocidental. Mesmo pequenino, o garotinho tem de enfrentar Karabá, uma poderosa e malvada feiticeira que devorou todos os homens que tentaram enfrentá-la e ainda roubou não somente todo o ouro da aldeia de Kirikou, mas também secou o bem mais precioso de seu povo: a fonte de água. Nessa aventura, Kirikou se revela um pequeno titã, um herói negro.
“Entendi como é importante preservar a natureza, porque ela é um bem. A água hoje é mais valiosa que ouro, não podemos desperdiçá-la. Aprendi também que onde moro tem muita fonte de água, então moro num lugar rico, não é?”, indagou a estudante Ramire Souza, de 12 anos, após a exibição e o debate sobre o filme.
Os resultados dessa provocação são considerados um sucesso para a consciência ambiental dos alunos, segundo a diretora da Escola, Belenice Oliveira. “Isso ajuda não somente na área pedagógica, mas também para o melhor comportamento desses estudantes em relação ao meio ambiente, que acabam passando o que aprenderam para a família”, destacou. Ela acrescenta que, apesar de parecer difícil lutar contra a degradação do meio ambiente, filmes como Kirukou ajudam a encorajar e mostrar que é possível. “Se há uma pedra no nosso caminho, temos de aprender a usá-la a nosso favor, em nosso benefício. Temos que ter perseverança”, disse aos alunos.
Já o professor de História, Jocelino Tobias, ressalta do filme a valorização da cultura da África. “As comunidades africanas dão um show de respeito à natureza, e isso é um bom exemplo para o nosso povo e para o mundo. Além disso, assistimos a vários elementos e comportamentos que fazem parte de nosso cotidiano”, disse o professor, que destacou a importância dos mitos da África, que se revelam fortemente na formação do povo brasileiro e principalmente baiano.
Essa relação de respeito do povo africano com a natureza é tão evidente que não é à toa o grau de preservação ambiental acentuado nas áreas povoadas por comunidades remanescentes de quilombo na própria APA do Pratigi.
“Temos de saber sobre nossas origens para termos coerência com o presente e com o futuro. A África é o nosso berço”, acrescenta o professor de Educação Física, Joaquim Bispo.
“Se não existisse essa união entre a nossa escola e essa associação que protege essa parte importante da nossa natureza, não estaríamos aqui, aprendendo tudo isso, não teríamos conhecido como a natureza é tão bonita. Nunca tinha visto um lugar maravilhoso como esse”, revelou a aluna Viviana do Espírito Santo, 14 anos, se referindo aos lugares por que passou na sede da AGIR.
O autor do projeto Cine Papuã, Sérgio Godin, presidente da Associação Serra do Papuã, que executa a ação em parceria com a AGIR, chama atenção de que é importante, cada vez mais, os professores de todas as escolas integrantes da APA do Pratigi abraçarem o projeto como parceiros. “Isso é um merecimento de todos esses estudantes, que serão multiplicadores dos saberes aprendidos aqui. Essa é uma causa de toda a comunidade da APA”, ressaltou.
As sessões são exibidas mensalmente no auditório da AGIR. A idéia é transformar o Cine Papuã num fórum de discussão transdisciplinar, que estimule consciência e atitude ambientais na comunidade escolar, “deslocando” a escola para além da sala de aula. Outras sessões futuras pretendem destacar temas como o aquecimento global, as mudanças climáticas, o aproveitamento dos resíduos sólidos, a conservação dos mananciais aqüíferos, o desenvolvimento sustentável e também as possibilidades de implantação de projetos alternativos para as comunidades da APA do Pratigi.cine papua






nossa… que bom que nos passamos um pouco da importancia do nosso ser ecologico.espero que eu seja a ganhadora da redaçao eu vou dar o melhor de mim.