Um causo de Aurelino Leal(e João comeu a onça)‏

19 03 2010

                                                                        onça

O folclórico cidadão aureliense João da Hora(foto) que emprestou seu nome para a denominação de uma das ruas da sua cidade (Aurelino Leal)  é dono de uma panela que fala e  assegura que já viu  um urubu cantar ,anexou às suas inúmeras proezas, a condição  de valente caçador de onças.Foi numa dessas famosas  caçadas,quando ele ainda  estava no vigor dos seus 17 anos de idade, que aconteceu um  inusitado caso, o qual João  jura ser verdadeiro e que lhe rendeu descendência na vastidão da Mata Atlântica.

 

João  tinha três cachorros, chamados de  “Lontra”, “Piau” e “Osso Puro”, e um belo  dia estava no mato em companhia do seu pai,………….que então  estava amolando o machado para  coivar .Nesse momento os cachorros,em latidos de acuo, subiram a serra.Atarefado o  pai disse que daquela vez não iria seguir  os cães para saber o que eles estavam acuando. Nesse impedimento João da Hora se prontificou a cumprir tal missão. O pai  recomendou  que  não fosse,  pois caso contrario a onça poderia lhe comer.

  João  insistiu sob o argumento de que já tinha assistido seu pai matar alguns dos ferozes felinos e com isso também tinha aprendido  como matá-los. De tanto insistir   (pai me deixa ir…) acabou  obtendo  a licença paterna para a temerosa empreitada: ”Você é quem sabe, eu vou coivar o roçado”, disse o pai.

  De clavinote em punho e desobedecendo aos conselhos paternos, João da Hora acompanhou a cachorrada pela mataria do Poço D’Anta. Subiu a serra, as esquerda, e num determinado ponto resolveu dá  uma “paradinha de perna  pra lembrança” raciocinou: “Fundar* pra lá é viado,é catitú,eu não vou  lá atrais não que eu me perco na mata”.Nesse instante o som dos latidos virou em sua direção e ele concluiu que era a anta que vinha rompendo.

 Posicionou-se, de clavinote em punho, para tocaiar o animal. Nesse momento um  barulho de galhos quebrando lhe desvia a atenção, volta o olhar em direção à retaguarda e se depara com uma pintada lhe espiando.

 O que aconteceu em seguida ele conta com precisão: “Tomei tanto medo que o clavinote caiu da minha mão. Os cachorros passaram, virados numa flexa,  atrás da anta.Lembrei das palavras do   meu pai ao avisar que eu  ia ser comido pela onça, e pensei:- agora não sei o que vou fazer. Foi aí  que  a onça olhou pra mim com uma carinha limpa…Veio de lá pra cá e passou o rabão folpudo* aqui no pé do meu imbigo*.Tornou a virar pra lá, foi lá, voltou e  tornou a passar o rabo,  já em riba do imbigo.O  clavinote no chão…eu com medo… A onça passou de novo pra lá e quando ela veio  de lá pra cá,às direita,passou já o rabo na minha boca.Aí eu olhei bem direitinho e vi que ela tava no cio. Pensava que eu era um onço”.

  Reafirmando que o acontecimento foi verdadeiro  João da Hora concluiu que a onça tinha outras intenções: “  Aí eu perdi o medo e disse:-Já sei o que você tá querendo.Você não  vai me comer não, quem vai te comer sou eu!E pan,pan,pan…Sei que ela ficou enxertada e é   por isso que eu tenho uns 50 a 60 bisneto no mato”.  

 José Américo Castro


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