AMIZADE, QUEM É QUEM NA POLÍTICA?

19 09 2007

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Politicamente, conceituar amizade é muito difícil. É um tema para muita analise e pesquisa. A política não costuma, comumente, combinar com amizade. É uma relação normal da pessoa, indivíduo a indivíduo, subjetivo, destituído de interesses, fundado na afeição. Será? Por sua própria natureza, o homem é interesseiro. O pensamento desse ser é preferir sempre lidar com interesses do que com sentimentos. A atmosfera do poder, se não torna a amizade impossível, com certeza cria tensões muito desagradáveis.

Amigos exigem e esperam muito, na forma de atenção, consideração e compreensão. Sempre que se vêem em dificuldades, os amigos exigem uma solidariedade incondicional e imediata, que será paga pelo governante em moeda política, acumulada com muito esforço. Amigos tendem a desenvolver expectativas exageradas e desproporcionais do governante. Compreensão, paciência, consideração e solidariedade são coisas normais na amizade. No mundo da política isso não importa. Por estas razões, amigos no governo estão sempre à beira da decepção com seu amigo poderoso, na iminência de uma desavença. Entretanto, há sempre aqueles capazes de amenizar as situações, amizade na vida privada e na pública. São poucos, mas valiosos. São reconhecidos porque eles não criam problemas.

Outra característica da amizade é não por obstáculos e não desenvolver hostilidade com novos amigos ou colaborador. É desse tipo de amigo que o governante deve estar cercado. Ele será o apoio mais importante nos piores momentos.

Os amigos perigosos costumam criar problemas e hostilizam os novos participantes do círculo do governante. O realismo político encara os inimigos de maneira diferente, adversários possuem muitos atrativos. Aos olhos do povo, o apoio de um adversário valerá muito mais do que o de um aliado. Inimigos e adversários não esperam muito um do outro.

Ao convidá-lo para integrar sua equipa, o governante provoca uma reversão, premiando-o quando o que se esperava era que ele fosse ignorado ou até prejudicado. O gesto concretiza uma expectativa que o adversário não possuía, e pela qual ficará devedor e sinceramente grato. Além disso, um adversário ou inimigo que se integra o governo tem muito a provar. Ele precisará responder positivamente às dúvidas que vão pairar sobre sua lealdade e terá que demonstrar duplamente sua competência. Por estas razões, ele será mais dedicado, evitará criar problemas e, tendo rompido com o outro lado, dependerá do governante e do seu sucesso mais do que seus amigos.

O rival também será infinitamente mais paciente e compreensivo do que os “amigos”. Diferentemente ele não pode se dar ao luxo de ficar à beira da decepção, prestes a se afastar, ofendido. Afinal, ele já `mudou de campo` uma vez. Se repetir a dose, é por que quem tem problemas é ele, e não os grupos políticos que o abandona.

Há descrença quanto à amizade na política e atração pela cooperação dos adversários. Ipiaú vive um momento político de amizades. Profundas amizades. Isso é ótimo para o ambiente político municipal. Se a cidade vai crescer e prosperar, porque não?


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